Me diz, por que que o céu é azul? Explica a grande fúria do mundo

Pais e Filhos. Belas interrogações do Renato Russo. Minha música preferida da Legião. Posso ser chato e abordá-las aqui?

ceu é azul

“Céu” é o que vemos quando olhamos pra cima. Achamos que ele é algo que está ali, mas o que vemos não é o espaço entre as estrelas: vemos raios do Sol desviados pela atmosfera! Em 1900 Lord Rayleigh mostrou que quando a luz branca atravessa o ar, tons de azul são dispersos pro lado. Essa é a luz azul que a gente vê quando olha pra cima.

sunset

Renato, porque que o *Sol* é azul, diria Rayleigh. E porque, no por-do-sol, vermelho? Ali a luz branca nos vem em linha reta, já bem subtraída do azul desviado pela atmosfera: daí a parte vermelha, que sobra, prepondera.

Em certos pores-do-sol, conseguimos ver tanto o vermelho ao horizonte quanto o azul mais ao alto, isto é, os dois fenômenos combinados.

Renato, porque que o azul é azul?

eye crop

O Sol é bem mais velho que nós, animais terrestres. Foram nossos olhos, com seus três tipos de cones, que evoluiram para distinguir as coisas primordiais que nos cercam: céu, terra, e erva. Essa adaptividade aconteceu graças ao astro que nos rege. Precisamos ver aquilo que devemos comer, e aquilo que pode nos comer. Opa, esbarramos no tema da violência, da fúria do mundo.

war

Renato levanta a pergunta sobre as raízes da guerra, fenômeno perene da humanidade. E dos chimpanzés também. E das formigas.

Causas e viabilizadores da guerra são complexos. Consigo pensar em fatores culturais, econômicos, freudianos e de caprichos por aventureiros do poder.

Li sobre a teoria do “youth bulge”: a disposição à guerra por uma população é atribuída a um excesso de homens jovens sem oportunidade de trabalho e/ou parceria sexual. Este excesso, por sua vez, ocorre 20-30 anos depois de um boom demográfico, onde a média de crianças por família chega a 4 ou mais. Um valor mais pacífico seria de 2.1 crianças por família. Então as causas da guerra estariam ligadas a um movimento pendular de boom-and-bust demográfico. Uma espécie de apoptose que regula população com recursos. Pela tristeza que isso causa, bem que poderíamos pensar em meios de controlar esta oscilação.

Esta situação de falta de recursos exacerba nossos instintos símeos de agressividade. Políticos cientes da oportunidade convidam à população a desafogar suas frustrações sobre si mesma (guerra civil) ou populações ou etnias vizinhas. Alegam perigo iminente e matam sumariamente os opositores. Na segunda guerra mundial, morreram 40 a 72 milhões de pessoas.

23012013020107renato_russoRenato, porque a fúria do mundo não é azul? Porque o ser humano é catártico? Porque culpamos nossos pais enquanto vivos e clamamos por eles de maneira totalitária já depois de mortos?

Os raios brancos da humanidade se dispersam em azul da paz e vermelho da guerra.

Somos gotas d’água e grãos de areia realmente. A estrela mais próxima da terra está a 4.2 anos luz da gente, ou 40 trilhões de quilômetros. Conseguimos, no Space Shuttle em velocidade máxima, chegar lá em 150 mil anos.

Não é surpreendente que apesar da nossa criação terrestre, temos capacidade de refinar teorias sobre as coisas que nos cercam e que estão a anos luz de nós?

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A Parede de Pedra

subida juçanãEssa pirambeira é o trecho final de uma pedalada que faço umas tres vezes por semana, rumo ao topo de um morro em Botafogo, no Rio de Janeiro. É também a parte mais íngreme de toda a pedalada (que leva uns 20-30 minutos). Sempre que chego aqui dou uma parada, bebo um trago de água e penso: putz, o topo é bem alto, a rua é bem íngreme, será que consigo subir? Engato a marcha mais leve e vou à luta, claro, fazendo zig-zag com a bike, vencendo fileira após fileira de paralelepípedo. Neste processo, me forço a esquecer do resultado final, e foco meu olhar nas fileiras de paralelepípedos que venço a cada zig e a cada zag.

Em três minutos tô lá em cima. É uma grande e surpreendente felicidade. Sempre. Esta experiência me atenta a várias lições que, acho, se aplicam à vida como um todo. Aqui vão algumas:

1) É importante focar no seu próprio ritmo e capacidade ao invés daquilo que o mundo lhe impõe.

2) Começar é muito importante e mais difícil que progredir.

3) Progredir exige um método, aplicado com regularidade. Descobrir seu método é o principal. Aprenda a saborear cada avanço gradual.

4) Devemos monitorar nosso corpo e o progresso, seja para diminuir o ritmo, desistir, ajustar ou mudar a abordagem ou até trocar de atividade. A vida é sua. A responsabilidade de escutar a si mesmo é sua!

5) Grandes metas são atingidas de maneira humilde e gradativa, desde que haja regularidade. O resultado é surpreendente tanto pra quem o atingiu como para aqueles que o observaram atingir.

6) Às vezes atingimos grandes metas sem o apoio de ninguém. A solidão pode ser concomitante à superação de grandes barreiras.

7) O fim de uma rota árdua é geralmente bem mais árdua que a rota inteira. Esteja preparado, isso é um bom sinal.

8) Faz bem pra saúde passarmos por desafios, evitarmos confortos, mover-nos para atingir algo. A inatividade é parente da morte.

9) Sue. Respire. Descubra. Fique em contato com a natureza. Esvazie sua cabeça de cobranças e grandes metas.

10) Sinta prazer em atingir.

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